sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Como reconhecer se uma carta espiritual é verdadeira


Quando um espírito recebe autorização para enviar notícias aos familiares, seu relato, geralmente, expressa a situação na qual se encontra inserido no mundo espiritual. O que vivenciou durante o desencarne, a acolhida que recebeu de familiares e amigos espirituais e a situação em que percebe a família, são questões abordadas nos relatos enviados pela via médiúnica.

Dessa forma, a autenticidade de uma carta espiritual será atestada pelos familiares que, conhecendo o linguajar do comunicante e os dados fornecidos, muitos de conhecimento apenas da família, fará com que a carta seja reconhecida como verdadeira ou descartada como falsa. 

Os relatos registrados na literatura espírita, via mediúnica do saudoso médium Chico Xavier, são referenciais para estudo e reconhecimento de uma carta espiritual. 

O relato seguinte encontra-se no livro - Correio do Além e é um exemplo claro do que abordamos no texto acima.



Querida mamãe Adelaide e querido papai Antero; peço-lhes me abençoem. Que a morte é uma sombra ilusória, está claro com a minha presença aqui.

Estávamos tão acomodados com nossa conversação que o Maurício, 1, e eu nos sentimos atropelados pelo tronco rigoroso, que nos estragou o corpo e a máquina inevitavelmente.

Trocamos de caminho pela inexperiência da região, mas, no fundo, penso eu que a nossa promissória com a desencarnação estava no sítio em que fomos parar e não no lugar que nos seria próprio.

Dedicados amigos nos recolheram, com certeza informados de que seria ali o nosso ponto de encontro.

Acho que o acontecimento foi grande demais para ser descrito. Se uma bomba nos fulminasse, a meu ver, o nosso espanto não seria tão grande.

Quis socorrer o Bassi, mas onde a energia para isso?

Não dispunha de forças senão para uns restos de pensamentos que dediquei à oração, pedindo a proteção de Deus.

Tive a ideia que minha vida era uma vela acesa que se apagava devagarinho, sem que me fosse possível reavivar a chama.

Refleti nos pais queridos, em nosso Arnaldo, 2, e Antero Júnior, 3, mas, tudo se me abateu na memória qual se me visse num sono, sem acreditar na realidade. Dormi pesadamente e creio que muito tempo depois; acordei na casa de apoio espiritual que me pareceu um pouso de emergência para acidentados. Chamei pela família com a exigência de um cliente que se reconhecia com retaguarda forte para saldar qualquer débito, quando foi com surpresa a aparição da criatura afetuosa que me atendeu com paciência.

Declarou-me ser a vovó Maria, 4, e, pela inflexão doce daquela voz, notei que ela parecia ignorar a agressividade de minhas reclamações.

Vim, a saber, que a realidade não era o sonho que mentalizava de começo.

Consciente de minha situação nova; passei a viver com o choro da mãezinha Adelaide e com as exclamações dos nossos familiares queridos.

Tenho procurado tomar pé em minha travessia de uma existência para outra e assim busco me adaptar aos deveres que me cabem aceitar.

A estação de águas ficara longe e tudo que fora meu, ou supostamente meu, já não mais me pertence e rogo aos pais queridos me auxiliarem com atitudes e ideias que me fortaleçam.

Ainda não tenho disposição para falar como seria de desejar, porque os meus grilos por enquanto não são poucos, mas, de qualquer modo, estou me sentindo aliviado com a possibilidade de comunicar-lhes estas minhas impressões.

Peço para que me sintam forte e calmo para vermos se esse exercício pode me conferir a energia e a serenidade de que ainda estou carente e abracem aos irmãos por mim.

Mãezinha e querido papai; desculpem se lhes falo com a insegurança que ainda me caracteriza; sei que vou melhorar e esbanjarei as boas notícias. Creio que a informação de que permaneço vivo é uma dessas pintas felizes do noticiário.

Lutando, mas, vivendo, restaurando-me, mas, seguro de mim mesmo; recebam os dois um beijão do filho muito agradecido.

Carlos Alberto dos Santos Dias (Beto)

02 de outubro de 1981





NOTAS:

1 – Maurício José Bassi –Amigo desencarnado no mesmo acidente

2 – Arnaldo / 3 – Antero Jr. – Irmãos

4 – Maria Pereira – Bisavó materna.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Breve recado

Laís,
Eu sei que você não teve culpa de nada. Não fique assim, continue a vida desse lado .
Eu te amo da mesma forma que quando em matéria, estava aí.
Fique tranquila e continue a viver sua tarefa.
Um beijo.

Gustavo Sales


17 de dezembro de 2014
Centro Espírita Semente Cristã

domingo, 14 de dezembro de 2014

O meu reencontro mais difícil foi com o rapaz que me alvejara


O relato seguinte, encontra-se na obra - Viajaram mais cedo - psicografada pelo inesquecível médium Francisco Cândido Xavier. 


O conteúdo da mensagem consoladora, vai de encontro ao sentimento de muitas pessoas que perderam seus familiares em situação similar.

Querida mãezinha Wilma e papai Sorrentino, abençoem-me.

Lembro-me da última frase que o jovem desconhecido me endereçou com a voz suplicante: - “Oi, companheiro, dê-me, por favor, uma carona. Sou seu colega sem nica no bolso...”.

O pedido me alcançou o coração e parei a moto. Estava de saída da USP (1) e devia a meu ver prestar um gesto de solidariedade ao amigo anônimo.

(1) - Universidade de São Paulo, onde Renato estudava.

Coloquei-lhe a garupa ao dispor e seguimos juntos. Não houve tempo para muito diálogo. Passados alguns minutos, o rapaz pediu parada e deixou o pedal que eu lhe havia cedido.

Mal nos defrontamos e ele sacou um revólver e os projeteis me atingiram com violência.

Compreendi que era o fim. Fixei o infeliz que me prostrara sem comiseração e roguei a Deus em silêncio que me fizesse entender aquele estranho assalto, em que os meus melhores sentimentos haviam cruelmente explorados...

O desventurado amigo ou inimigo (ainda não sei bem) procurou ganhar distancia, mas foi reconhecido.

A sangria desatada não me permitiu qualquer movimento.

Recordo-me de que alguns desconhecidos se abeiram de mim, no entanto, meu cérebro como que se apagara.

Nada mais vi nem ouvi, porque um torpor, que nunca imaginei pudesse ser assim tão forte, se me apoderou do corpo e da mente.

Quanto tempo permaneci naquele desmaio sofrido de profunda inconsciência, ainda não sei. Acordei num aposento confortável, assistido por uma senhora em cuja presença adivinha uma enfermeira prestimosa.

Não pude articular a palavra logo após retomar a própria consciência, abrindo os olhos. Notei que uma grande dificuldade me tomara a garganta e, entre pensamentos enfileirando orações, esperei o momento no qual me foi permitido falar.

Então, perguntei à protetora diligente sobre o meu próprio destino, já que a minha triste cena final me voltava à memória. Estaria em algum recanto de tratamento na Terra mesmo ou me achava em algum lugar fora do plano físico?

O corpo estava quebrado, dolorido...

A senhora me informou que a minha presença, fosse onde fosse lhe seria muito grata ao coração e me recomendou chamá-la por vovó Josefina (2).

(2) Josefina Papalardo Cascapera, bisavó materna, já desencarnada.

Vovó Josefina era um nome que, muitas vezes, ouvi como sendo alguém de nossa família que a morte arrebatara, e ainda estávamos naquele início de conversação, que me espantava quanto outra senhora veio até nós, abraçou-me afetuosamente e me solicitou nomeá-la por vovó Benedita

(3) Benedita Monteiro César, bisavó materna, já desencarnada.

Então, não tive mais dúvida. Chorei ali mesmo, refletindo em meus queridos pais, em meus irmãos e em nossa querida Silvia, a quem prometera casamento.

Vovó Josefina consolou-me e, qual se fizesse de mim um menino de volta à infância, me fez rememorar preces do tempo de criança que eu desde muito havia esquecido...

Entendi, no entanto, que não estava numa universidade e sim num santuário. O santuário do lar em cujo clima de amor formara o coração.

Minhas avós me recomendaram pedir à Divina Providencia bastante força para perdoar ao jovem que me despojara da vida física.

E quando fiz isso, com todo o meu coração, pois, repeti as petições por vários dias consecutivos até que conseguisse repeti-las com sinceridade, pensei no infeliz companheiro qual se fosse ele meu próprio irmão do lar e, desde essa hora, um calor diferente me animou por dentro da própria alma.

Quem seria ele, o amigo da carona solicitada?

Imaginei-o como sendo o meu próprio irmão que houvesse enlouquecido e, desde esse instante, as minhas energias intimas se renovaram.

Pude voltar à nossa casa e abraçar os pais queridos e os irmãos inolvidáveis, detendo-me a trocar pensamentos com a Márcia, que se mostrava mais acessível à minha influência e depois fui ao encontro de Sílvia (4) que se mergulhava nos estudos. Bastou que eu lhe envolvesse com os meus pensamentos e vi-lhe os olhos brilhando com as lágrimas a cair...

(4) Sílvia Helena Ferreira de Souza, sua noiva.

Pedi-lhe coragem, falei do futuro em que ela conseguirá um companheiro digno do seu carinho e, em companhia da vovó Josefina, voltei à nova morada.

O meu reencontro mais difícil foi com o rapaz que me alvejara.

Fiquei ciente do seu nome, Marcelo, e compreendi que o tóxico lhe impregnava o habito em qualquer direção.

Reconhecendo-o nessa condição, mais se me acentuou a piedade por ele e abracei-o sem esforço a desejar-lhe paz e recuperação.

Aí está, mãezinha Wilma, o relato dos meus primeiros dias de vida nova.

Peço-lhe, tanto quanto ao meu pai e a meus irmãos, não se esquecerem de mim nas orações e, também, do Marcelo, para quem peço à querida família não conservar qualquer ressentimento.

Decerto, o ocorrido terá raízes em outros lugares e em outros tempos, o que me será permitido redescobrir quando estiver mais apto para essa espécie de curta analise, mas posso asseverar-lhe que me sinto mais tranquilo, após haver considerado o meu improvisado agressor por irmão doente e começo a trabalhar, embora deficitariamente, sob a assistência dos nossos novos amigos, entre os quais me encontro.

Rogo à Silvia desculpar-me, se não pude cumprir as promessas que repetia sempre no sentido de fazê-la feliz. Menina correta e nobre, com o amparo de Deus ela encontrará um companheiro que a proteja e ame, com a mesma afeição que lhe dediquei.

E, conquanto possa fazer ainda tão pouco, no que se me faça possível, cooperarei a fim de que a nossa querida Silvia seja feliz.

O amor é sempre o amor e estaremos unidos ao modo de dois irmãos que se entre ajudarão nos caminhos da vida.

Peço aos pais queridos me faça lembrado a ela na condição de amigo fiel que não a esquecerá.

Neste ponto, a vovó Josefina me aconselha o ponto final, por haver trazido as minhas notícias, consideradas por ela as mais necessárias, e, com pesar me despeço, com meus votos a Deus pela paz e felicidade de todos os familiares queridos.

Ao papai querido e aos irmãos inesquecíveis, as minhas carinhosas lembranças, e para a querida mãezinha Wilma aqui ficará palpitando, mais junto do seu todo, o coração de seu filho, sempre mais seu,

Renato



RENATO JOSÉ SORRENTINO

09.11.84

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Morrer não significa acabar


Relembrando as cartas de consolo, psicografadas por Chico Xavier, trago à lembrança a carta de Antonio Carlos Escobar, que desencarnou no dia 25 de dezembro de 1977 e, no dia 21 de abril de 1978, pelas mãos de Chico Xavier, escreve aos seus familiares pedindo para que não chorem tanto, pois, o mesmo precisa desembaraçar-se das prisões de casa para conseguir melhorar.

Outro pedido, diz respeito a culpa que alguns familiares atribuíram à pessoa que o convidou para uma viagem, na qual ambos desencarnaram, após a queda do avião pilotado por ele.

É a mãe de Antônio Carlos, Gilda Aymoré Escobar, quem atribui veracidade às informações contidas na carta, de vez que, muitas delas eram desconhecidas de Antônio Carlos, quando em vida.

"Quando cheguei aí em Uberaba, pela primeira vez, ninguém me conhecia. Para Antônio Carlos dizer tão certinho tudo o que ele disse, através do médium Chico Xavier, só ele mesmo – o Espírito de meu filho – para saber. Vovô Ayala, que ele cita na mensagem, é meu avô materno, desencarnado há 33 anos, visto que Antônio Carlos não o conhecia e quase não costumávamos nos lembrar dele, que já morreu há tantos anos, eu mesma tinha 7 anos quando ele desencarnou. Vovô Primitivo é meu pai, desencarnado há 6 anos. Vovó Isabel Rôa é minha avó, mãe de meu pai, desencarnada há 2 anos".

"Eu costumava, com efeito, conversar muito com a fotografia do meu filho, perguntando:
-Por que, meu filho querido; tinha que acontecer isso com você; que sempre foi um menino tão bom, tão correto em tudo, tão amigo de todos, enfim, um filho que nos deu alegrias, por que Deus tinha que bater em nossa porta desse jeito?"

O relato foi retirado do livro - Claramente Vivos - Psicografia de Chico Xavier.
Veja na íntegra!



Querida Mãezinha, querida vovó Armanda, querida tia Isabel.
Venho pedir a Deus que nos abençoe e pedir-lhes para não chorarem tanto.
Estou aqui com o meu avô Primitivo Aymoré e com a minha avó Isabel Rôa Escobar, mas estou muito preso às lágrimas de casa.

Querida tia Isabel; se puder, não deixe a vovó chorar tanto, nem a minha Mãezinha Gilda continuar tão aflita por minha causa. Estou vivo, mas preciso desembaraçar-me das prisões de casa para conseguir melhorar.

O meu avô Primitivo me diz que preciso fazer este pedido para que a minha situação consiga melhorar.

Às vezes, me reconheço nas ruas de Ponta Porã ou de Pedro Juan Caballero,
perguntando porque... Mas, isso resulta de quando me contemplam os retratos, chorando muito e chamando-me.

Não culpem ninguém, porque eu tinha tido a obrigação de vir mais cedo para cá. As leis de Deus funcionam sobre as nossas cabeças, e não havia como fugir a elas.

Rogo-lhes conformação, à mãe Armanda. Estive com vovô Ayala, que me deu
excelentes conselhos.

Agora, peço-lhes para descansarem para que eu descanse. Os que chegam aqui, vêm tudo quanto se passa aí, e espero que me auxiliem.

Tia Isabel; envio o meu abraço ao Evaldo Carlos e a Gladys Lise, com muita estima ao tio Basch.

Agora, me despeço. Vim até aqui porque o meu avô Primitivo me disse que teríamos que escrever alguma coisa para que a minha avó Armanda não fique doente. As lágrimas de saudade também matam, e queremos a Vovó aí perto de minha mãe sem o sofrimento em que as vejo depois de minha vinda para cá.

Morrer não significa acabar.

Estou rente com a família, e assim que as lágrimas diminuírem; penso que vou
trabalhar muito.

Minhas lembranças ao meu querido irmão. Ao papai, ao Basch e às crianças.
E pedindo as três me abençoarem, sou o filho, o neto e o sobrinho que pede a Deus nos auxilie a vencer as nossas dificuldades para sermos realmente mais felizes.

Abraços muito de coração do

Antônio Carlos Escobar.