quinta-feira, 29 de março de 2018

A morte chegou igual uma brisa suave

Vivi e morri.
Nada levei comigo.
Tristezas, dores, alegrias; vivenciei tudo isso.
A morte chegou igual uma brisa suave, breve, que passa tocando cabelos e rosto.
Lamento não ter vivido, lamento o que não realizei; lamento por ter sido o que eu não deveria ser, ou seja, um arrogante e insensível, nesta vida que foi breve e muito breve.

Ricardo Peçanha

Uma alma em busca de evolução.

A morte me veio e eu não a esperava. Surgiu da forma mais inesperada e, porque não dizer, da maneira mais covarde e egoísta.
A morte veio e levou a minha vida em seus braços, através de mãos humanas.
Tudo no início era confusão, mas, agora, aos poucos, surgem explicações. Precisava passar pela covardia e ganância humana.
Hoje busco, aos poucos, perdoar o meu algoz. Não é fácil tirar o véu da vingança.
A morte veio para abrir meus olhos espirituais.
Obrigado em poder desabafar por meio da caneta e do papel.

Uma alma em busca de evolução.

sábado, 31 de outubro de 2015

Mensagem de Amor




As cartas psicografadas por Chico Xavier, que se constituíram em conforto aos familiares, não se destinam apenas àqueles que as receberam. As mensagens trazidas pelos irmãos desencarnados servem de consolo a todos os que não tiveram a mesma oportunidade, pois, as mensagens falam de vida, consolo e esperança, como a carta psicografada a 15 de outubro de 1976, ao final da reunião pública no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Minas Gerais, enviada pela jovem Yolanda.


Querida Mamãe, querido Papai, meu querido João Batista, Deus abençoe a nós todos.

Estou ainda quase sem forças.

Quase como no instante em que me levantei de mim mesma, depois de me haverem erguido, à maneira de uma criança.

E venho, querida Mãezinha, não apenas atraída por seu carinho, mas trazida na corrente de suas petições e de suas lágrimas.

Peço agora com mais insistência, não se entristeça, ajude-me com aquela fortaleza que em seu espírito nunca vi esmorecer.

Perdoem-me, o seu coração e o coração de meu pai, se voltei tão às pressas à vida que me convidava às grandes renovações.

Tenho o reconforto de afirmar-lhes que não provoquei o choque do Opala.

Pensei que pudesse fazer uma ultrapassagem pacífica, habituada que me achava a visar dimensões e examinar caminhos de relance.

Mãezinha, não julgue que sua filha pudesse, por um instante só, enfraquecer-se na fé, a ponto de buscar a desencarnação voluntária.

Dias antes me sentia em nossa casa, como quem trazia a cabeça e as mãos crescidas, não sabia o que se passava.

Inclinei-me a refletir sobre mediunidade, mas, somente aqui vim a saber que estava sendo preparada com carinho para a volta.

Tudo, Mamãe, foi muito rápido.

Um choque difícil de descrever e, depois aquela ideia de que o desmaio era natural e inevitável, um sono agitado por pesadelos, porque a gente não se despede do corpo, sem desatar muitos laços e nem se desliga com muita facilidade do ambiente querido em que se nos desenvolveu a experiência familiar.

Quando acordei, porém, escutava seus apelos, suas perguntas, suas aflições e suas lágrimas, em forma de palavras e sons que me ecoavam por dentro do coração.

Senti-me perdida, como quem se reconhece num hospital que não pediu e nem esperou.

Os conhecimentos que trazia comigo me foram valiosos, porque era justo que eu a chamasse aos gritos, manifestando minha estranheza em altas vozes, mas quando vi o tio Orlando com aquele rosto sereno a fitar-me, ele que partira, antecedendo-me na vida Espiritual, creio por onze meses, compreendi tudo.

Achava-me como ainda me encontro numa instituição de refazimento em que o amigo maior é o Padre Antônio, direi Antônio Preto, de quem ouvira tantas vezes falar.

Acolheu-me com brandura e soube que estávamos todos numa casa de socorro espiritual de urgência, fundada junto a Bebedouro pelo sacerdote Francisco Valente, que nos deu tanto amor, na formação do recanto em que Deus enviou a felicidade para morar conosco.

Lutei muito, querida Mamãe, porque não é fácil deixar a existência no lar, nem mesmo quando temos aquele ideal de estudar a vida em outros planos e em outros mundos, que sempre me marcou as idéias de menina voltada para os assuntos do espírito.

Rogo dizer à nossa Do Carmo e às amigas que a morte me apareceu na condição de uma benfeitora, e que não fui eu quem lhe bateu às portas.

Mãezinha, a senhora sabe que suicídio não constava de nossos propósitos, isto é, dos meus.

Páginas de amor e ternura, meditações sobre a vida espiritual que eu tenha escrito, sabe nosso querido João Batista que eram pensamentos soltos nos quais, muitas vezes, me sentia sob influências mediúnicas.

Rogo ao querido irmão auxiliar-me com seu encorajamento e fé em Deus.

Joãozinho, meu irmão, estamos no tempo dos nossos testemunhos de confiança em Deus.

Estude e siga em frente.

Sua irmã não morreu.

O que sucedeu foi mudança de lugar e de clima, sem transformações em nosso amor de irmão que se tanto e que com a benção de Jesus, prosseguiremos unidos.

Mãezinha, agradeço as suas preces e as orações dos familiares, sem me esquecer dos pensamentos de amor da Vovó Carolina e da tia Geni, em Viradouro.

Aqui, tenho encontrado muito amor, através de gestos de proteção que não plantei.

Nossos irmãos do Grupo do Calvário ao Céu estão irmanados aos outros, aqueles que sob a proteção de São João Batista, distribuem socorro e bondade sob os nossos céus.

Mamãe, perdoe sua filha, se minhas idéias pareciam por vezes extravagantes.

Eu sei que a sua ternura tantas vezes silenciava para que sua Landa estivesse crendo em sonhos e realizações distantes da verdade que impera na vida.

E me lembro dos seus olhos expressivos a me falarem sem palavras de suas preocupações por mim.

Creia, Mamãe, que não vim para cá trazendo afeições maiores que as nossas, você, papai, João Batista, Maria do Carmo e os nossos, parece que a gente mais jovem quando sai da Terra de repente, na maioria dos casos, parece considerada como sendo pessoas que se afastam do mundo por desilusões e desenganos, mas não é assim.

Existem leis a que não conseguimos fugir.

Cada qual na Terra dispõe de uma quota de tempo a fim de fazer o que deve.

A parcela que a vida me reservava era curta.

Mas tenho a ideia de que tive os melhores pais da Terra e os melhores irmãos, porque recebi todos os recursos de casa para realizar em mim as construções espirituais que pude.

Dizer obrigada é tão pouco, mas digo assim mesmo: obrigada, Mãezinha, por seus braços que me guiaram na vida, por seus sacrifícios por mim, pelas orações que aprendi nos seus lábios e que as teorias do progresso humano não me fizeram esquecer; por suas noites de vigília, por suas inquietações, acompanhando-me com as suas preces, quando me ausentava de casa, obrigada pelas repreensões que eu merecia e que ficaram sempre em seu carinho sem que você me falasse dos receios que eu causava à sua ternura, obrigada por tudo, mas por tudo o que você me deu e obrigada a todos os que me concederam em família para me servirem de protetores e companheiros.

Estou ainda muito pobre de forças, mas Deus concederá à sua filha energias novas e serei útil.

Mãezinha, meu pai, João Batista, Tia Geni e todos os meus entes queridos, termino, dizendo que estou agradecida, amando a todos cada vez mais.

E o Papai me permitirá terminar esta carta, dizendo a Mãezinha, naquele abraço total, quando voltava a casa depois de qualquer ausência.

Mãezinha, você é tudo para mim, Mamãe, querida Mãezinha, abençoe-me e deixe que me ajoelhe diante das suas preces outra vez para repetir que nós duas confiamos em Deus.

E receba todo o carinho, com muitos beijos da sua filha, agora mais sua filha no coração.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Amor que fica


Foi num hospital do câncer que a lição foi dada. A menina tinha 11 anos e lutava, desde os 9, contra a insidiosa doença.

Nunca fraquejou. Chorava, sim, mas não fraquejava. Tinha medo em seus olhos, mas entregava o braço à enfermeira e com uma lágrima, dizia:

Faça, tia, é preciso! E havia confiança e determinação no gesto e na fala.

Um dia, quando o médico a foi visitar no quarto do hospital, ela estava sozinha. Perguntou pela mãe. E ouviu a resposta que, diz ele, até hoje guarda, com profunda emoção:

Tio, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores.

Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer.

Eu não nasci para esta vida!

Pensando no que a morte representa para crianças que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indagou o médico:

E o que a morte representa para você, minha querida?

Olha, tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama, não é?

É isso mesmo, concordou ele, lembrando o que fazia com suas filhas de 2 e 6 anos.

Vou explicar o que acontece, continuou ela. Quando dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto.

Eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o Meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa dEle, na minha vida verdadeira.

Que bela imagem! Que extraordinária lição desse Espírito encerrado num corpo tão jovem e sofrido.

O médico estava boquiaberto, não sabia o que dizer, ante tanta sabedoria.

Mas a menina não terminara ainda.

Minha mãe vai ficar com muitas saudades minhas, emendou ela.

Com um travo na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, o médico perguntou:

E o que saudade significa para você, minha querida?

Não sabe não, tio? Saudade é o amor que fica.

* * *

A menina já se foi, há longos anos. Ainda hoje, quando o médico experimentado olha o céu e vê uma linda estrela, imagina ser ela, a sua pequena paciente, na sua nova e fulgurante casa. A casa do Pai.

* * *

Toda vez que a morte vier com seus braços frios e levar um dos nossos amores, pensemos que é o Pai que o envolve com ternura e o está levando para Sua casa.

O Pai que, com carinho, o vem buscar para estar com Ele, pois o ama muito.

E pensemos que logo mais poderemos ir também, pois todos os que nos encontramos na Terra seremos levados pelo Pai ao mundo espiritual.

Enquanto isso, cultivemos a doçura da saudade, em nosso coração.

A saudade... O amor dos nossos amores que ficou...

Redação do Momento Espírita, a partir de crônica que circula
pela internet, atribuída ao Dr. Rogério Brandão, médico
oncologista clínico de Recife, Pernambuco.
Em 03.09.2009.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Mensagens que confortam corações

Programa Mais Você, exibido pela Rede Globo no dia 13/07/2010, mostrou a história de Tatiana, que desencarnou em acidente automobilístico no dia 04/02/2006, aos 23 anos de idade, juntamente com seu cãozinho na BR 101, na cidade de Capivari de Baixo - SC, entre as cidades de Tubarão e Laguna. 


Veja a mensagem na íntegra!




Mensagem psicografada no dia 15/09/2006, na reunião pública do Centro Espírita "Aurélio Agostinho", em Uberaba - MG. Mensagem na voz do médium.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Como reconhecer se uma carta espiritual é verdadeira


Quando um espírito recebe autorização para enviar notícias aos familiares, seu relato, geralmente, expressa a situação na qual se encontra inserido no mundo espiritual. O que vivenciou durante o desencarne, a acolhida que recebeu de familiares e amigos espirituais e a situação em que percebe a família, são questões abordadas nos relatos enviados pela via médiúnica.

Dessa forma, a autenticidade de uma carta espiritual será atestada pelos familiares que, conhecendo o linguajar do comunicante e os dados fornecidos, muitos de conhecimento apenas da família, fará com que a carta seja reconhecida como verdadeira ou descartada como falsa. 

Os relatos registrados na literatura espírita, via mediúnica do saudoso médium Chico Xavier, são referenciais para estudo e reconhecimento de uma carta espiritual. 

O relato seguinte encontra-se no livro - Correio do Além e é um exemplo claro do que abordamos no texto acima.



Querida mamãe Adelaide e querido papai Antero; peço-lhes me abençoem. Que a morte é uma sombra ilusória, está claro com a minha presença aqui.

Estávamos tão acomodados com nossa conversação que o Maurício, 1, e eu nos sentimos atropelados pelo tronco rigoroso, que nos estragou o corpo e a máquina inevitavelmente.

Trocamos de caminho pela inexperiência da região, mas, no fundo, penso eu que a nossa promissória com a desencarnação estava no sítio em que fomos parar e não no lugar que nos seria próprio.

Dedicados amigos nos recolheram, com certeza informados de que seria ali o nosso ponto de encontro.

Acho que o acontecimento foi grande demais para ser descrito. Se uma bomba nos fulminasse, a meu ver, o nosso espanto não seria tão grande.

Quis socorrer o Bassi, mas onde a energia para isso?

Não dispunha de forças senão para uns restos de pensamentos que dediquei à oração, pedindo a proteção de Deus.

Tive a ideia que minha vida era uma vela acesa que se apagava devagarinho, sem que me fosse possível reavivar a chama.

Refleti nos pais queridos, em nosso Arnaldo, 2, e Antero Júnior, 3, mas, tudo se me abateu na memória qual se me visse num sono, sem acreditar na realidade. Dormi pesadamente e creio que muito tempo depois; acordei na casa de apoio espiritual que me pareceu um pouso de emergência para acidentados. Chamei pela família com a exigência de um cliente que se reconhecia com retaguarda forte para saldar qualquer débito, quando foi com surpresa a aparição da criatura afetuosa que me atendeu com paciência.

Declarou-me ser a vovó Maria, 4, e, pela inflexão doce daquela voz, notei que ela parecia ignorar a agressividade de minhas reclamações.

Vim, a saber, que a realidade não era o sonho que mentalizava de começo.

Consciente de minha situação nova; passei a viver com o choro da mãezinha Adelaide e com as exclamações dos nossos familiares queridos.

Tenho procurado tomar pé em minha travessia de uma existência para outra e assim busco me adaptar aos deveres que me cabem aceitar.

A estação de águas ficara longe e tudo que fora meu, ou supostamente meu, já não mais me pertence e rogo aos pais queridos me auxiliarem com atitudes e ideias que me fortaleçam.

Ainda não tenho disposição para falar como seria de desejar, porque os meus grilos por enquanto não são poucos, mas, de qualquer modo, estou me sentindo aliviado com a possibilidade de comunicar-lhes estas minhas impressões.

Peço para que me sintam forte e calmo para vermos se esse exercício pode me conferir a energia e a serenidade de que ainda estou carente e abracem aos irmãos por mim.

Mãezinha e querido papai; desculpem se lhes falo com a insegurança que ainda me caracteriza; sei que vou melhorar e esbanjarei as boas notícias. Creio que a informação de que permaneço vivo é uma dessas pintas felizes do noticiário.

Lutando, mas, vivendo, restaurando-me, mas, seguro de mim mesmo; recebam os dois um beijão do filho muito agradecido.

Carlos Alberto dos Santos Dias (Beto)

02 de outubro de 1981





NOTAS:

1 – Maurício José Bassi –Amigo desencarnado no mesmo acidente

2 – Arnaldo / 3 – Antero Jr. – Irmãos

4 – Maria Pereira – Bisavó materna.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Breve recado

Laís,
Eu sei que você não teve culpa de nada. Não fique assim, continue a vida desse lado .
Eu te amo da mesma forma que quando em matéria, estava aí.
Fique tranquila e continue a viver sua tarefa.
Um beijo.

Gustavo Sales


17 de dezembro de 2014
Centro Espírita Semente Cristã