sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Não sintam pena por eu ser "tão novo"


Carta recebida em 6 de agosto de 2011

Às 8 horas eu já não estava mais aqui. Tanta agonia pude ver quando sai do meu corpo quase sem entender direito, mas sabia o que era o freio, o acidente, a batida. 

Ainda não sei ao certo, às vezes me vem flashs do dia, das pessoas penalizadas por eu ser tão novo, pois eu tinha ouvido falar sobre esse assunto, que a gente ainda ficava vivo depois que morresse. Não entendi, ainda, como tudo aconteceu, mas, eu não fui o único. Eu não estava só, ali. 

Eu nem vi quando aconteceu, mas fui logo socorrido e trazido para cá. Fiquei no hospital da Terra e no daqui, só estava mesmo esperando o dia de desligar totalmente.

Agora já entendo um pouco mais sobre essas coisas de vida após a morte. Já sei até que a morte é só uma passagem necessária para um novo aprendizado e evolução.

Não sei ao certo se cheguei a lutar quando estava no hospital da Terra ou se me entreguei logo por saber que já era a hora.

Só vim pedir que não sintam pena por eu ser "tão novo". Na verdade, só o meu corpo físico assim o era. Tudo aconteceu como e quando tinha que ocorrer, apenas rezem, rezem e rezem.

Só isso

Jeferson Amorim

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